
Como é ter Parkinson e ser Brasileira?
Existe uma grande diferença com Parkinson no
Brasil. Existem as pessoas informadas, que tem Planos de Saúde ou são atendidas
pelo SUS e, bem ou mal, são diagnosticadas e minimamente medicadas. E existem
as outras pessoas que, por falta de atendimento adequado, sequer tem um
diagnóstico correto.
Para começar, aqui na terra do
carnaval, o Estado não cumpre seu papel, ajudando os portadores de doenças
crônicas e/ou degenerativas a terem dignidade. O governo fornece apenas
remédios genéricos, muitas vezes com atrasos de até 04 meses e também não
atua com seriedade na regulamentação dos planos de saúde. Os planos de saúde
brasileiros limitam a quantidade de sessões de fisioterapia e fonoaudiologia e
não oferecem cobertura para atividades fundamentais à manutenção da qualidade
de vida do doente, tais como a hidroterapia ou o Pilates, que é fundamental.
Geralmente oferecem RPG, que não atende as nossas necessidades.
Algumas classes sociais podem
pagar pelos tratamentos multidisciplinares essenciais à
manutenção das funções fisiológicas, à vida social e a autoestima do paciente
de PK, porém, existem pessoas que nem os remédios podem adquirir. Passam todo
tipo de privações e quem costuma ajudar são Associações de Parkinson que, via
de regra, não recebem um tostão do Estado.
Para o paciente de PK, assim como para outros
doentes no Brasil, tudo é limitado: A oportunidade de tratamentos, a
acessibilidade nas ruas e logradouros públicos e privados, até mesmo a
aceitação de que o parkinsoniano é um deficiente físico, pois tem limitações em
sua locomoção e até mesmo dificuldades em permanecer por muito tempo de pé, em
filas por exemplo. (em estágios mais avançados). Para quem desconhece existe
uma lei que beneficia portadores de deficiência física com vagas diferenciadas
em estacionamentos públicos. Segundo uma neurologista de Paulínia o
Parkinsoniano é considerado deficiente físico. Triste porém, real.
Hoje
vemos pacientes diagnosticados com 28, 30 anos de idade e a sociedade os veem
como aproveitadores quando querem usar uma fila de atendimento especial.
Os mais
esclarecidos lutam por seus direitos enquanto aqueles, menos dotados de conhecimento,
acabam refugiando-se em seus lares, sem coragem de sair à rua para não serem
humilhados.
É
preciso acabar com isso. Os governos, em todos os níveis precisam ser
pressionados para que os parkinsonianos possam se tornar cidadãos de verdade neste
país. É preciso que haja campanhas de conscientização, a informação e,
sobretudo, o respeito, tanto das autoridades quanto dos demais cidadãos. Afinal, nós somos tão cidadãos quanto
quaisquer outros e o dinheiro dos nossos impostos é igualmente valioso. Eu me
pergunto: Como será que se sentem as mulheres parkinsonianas do resto do mundo?
Fica aí a pergunta para reflexão.